Lágrima de Preta
Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
António Gedeão
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De todos os poemas que li até hoje, sem dúvida, este foi o que mais gostei.
Espero que também gostem =)
Beijinhos da Juni**
5 comentários:
Tão lindo poema!
E nem de encomenda viria tão a propósito!
Parece que há por aí quem precise de ler e meditar...
Que forma tão singela de desmontar os fundamentos do preconceito... do racismo... da estupidez...!
Parabéns!
Muito bem juni!!!
Como o prof diz: "E nem de encomenda viria tão a propósito"
É verdade...
Porqué tanto preconceito, tanto racismo...:S
LIndo poema...adoro!!!:)
beijokassss pa ti miga
Obrigado Prof.Gavinhos e Anita! =)
Pois por ser adequado e tratar-se de um 'tabu' que ainda hoje existe na nossa sociedade...e também por ser o meu poema preferido, claro, é que decidi partilhá-lo com a turma ^^
BeijinhOs*
Adoro o pOema..
É LindO
MuitO bOa EScOLhA :)
BesitOs'
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